[Filme] Sherlock Holmes

30 de Setembro de 2012
[Filme] Sherlock Holmes


Sherlock Holmes

Sinopse Sherlock Holmes

Sherlock Holmes é um detetive conhecido por usar a lógica dedutiva e o método científico para decifrar os casos nos quais trabalha. O dr. John Watson é seu fiel parceiro, que sempre o acompanhou em suas aventuras. Porém esta situação está prestes a mudar, já que Watson pretende se casar com Mary Morstan. Isto não agrada Holmes, que não deseja o afastamento do colega.

O último caso da dupla envolve Lorde Blackwood, por eles presos ao realizar um ritual macabro que previa o assassinato de uma jovem. Blackwood já havia matado quatro mulheres e tem fama junto a população de ser um poderoso feiticeiro. Ele é preso e depois condenado à forca, mas misteriosamente é visto deixando o túmulo onde seu caixão foi deixado. Holmes e Watson são chamados para solucionar o caso e logo ele se torna um grande desafio para o detetive, que não acredita em qualquer tipo de magia.

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Ficha técnica Sherlock Holmes

Título Original: Sherlock Holmes.
Origem: Inglaterra / Austrália / Estados Unidos, 2009.
Direção: Guy Ritchie.
Roteiro: Michael Robert Johnson, Anthony Peckham e Simon Kinberg, baseado em personagens de Arhur Conan Doyle.
Produção: Susan Downey, Dan Lin, Joel Silver e Lionel Wigram.
Fotografia: Philippe Rousselot.
Edição: James Herbert.
Música: Hans Zimmer.

Elenco Sherlock Holmes

Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams, Mark Strong, Eddie Marsan, Robert Maillet, Geraldine James, Kelly Reilly, William Houston, Hans Matheson, James Fox, William Hope, Clive Russell, Oran Gurel, David Garrick, Kylie Hutchinson, Andrew Brooke, Tom Watt, John Kearney, Sebastian Abineri, Jonathan Gabriel Robbins, James A. Stephens, Terry Taplin, Bronagh Gallagher, Ed Tolputt, Joe Egan, Jefferson Hall, Miles Jupp, Marn Davies, Andrew Greenough, Ned Dennehy, Martin Ewens, Amanda Grace Johnson, James Greene, David Emmings, Ben Cartwright, Chris Sunley, Michael Jenn, Timothy O’Hara, Guy Williams e Peter Miles.

Trailer Sherlock Holmes

Crítica Sherlock Holmes

Esqueça tudo que você sabe sobre o detetive Sherlock Holmes. Essa é a melhor maneira de encarar a representação do clássico personagem nascido nos romances de Sir Arthur Conan Doyle ainda no final do século XIX. Com mais de um século de existência falar sobre “livre adaptação” de suas obras já é quase uma redundância, uma vez que pelas mãos do escritor o personagem apareceu apenas em quatro romances e outros cinco livros com uma série de contos.

A versão que chega às telas não é inspirada em nenhum deles. Do perfil literário, o Sherlock do cinema herda a brilhante lógica dedutiva, o método científico utilizado em suas investigações e a paixão pelo violino. É pouca coisa, mas o suficiente para manter em linhas gerais as características que tornaram o personagem uma referência cultural.

Como já é de praxe em trabalhos dirigidos pelo cineasta Guy Ritchie (Snatch: Porcos & Diamantes) três aspectos se sobressaem e tornam sua obra de fácil identificação: o ritmo acelerado com que a história se desenvolve, o uso desmedido de sequências em slow motion para ressaltar algum momento de clímax e o visual underground de histórias que se passam em meio ao submundo.

Sherlock Holmes apresenta um pouco de tudo isso, mas sem ser repetitivo ou abusar de nenhum dos elementos, o que é um ótimo sinal. A construção do roteiro, da mesma forma, parte de uma premissa inteligente. Na trama, o detetive precisa enfrentar o vilão Lord Blackwood (Mark Strong) que planeja um grande golpe que lhe dará poderes ilimitados no Reino Unido para coordenar uma invasão aos Estados Unidos.

Seus planos, no entanto, incluem uma série de ações que se assemelham muito à utilização de magia negra, misticismo e seitas secretas. O fato acaba se revelando um desafio intrigante para a mente lógica e racional de Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.). E é justamente na contraposição de ciência e magia que reside boa parte do sucesso do roteiro, uma vez que temos uma antítese real e plausível em pleno final de século XIX. Aliás, a época da revolução industrial é ilustrada em diversos momentos, seja pelas construções que fervilham nas ruas de Londres ou mesmo pelos comentários do detetive sobre a transformação pela qual a cidade está passando.

Diferente do estigma de nobreza que o detetive britânico carrega, o Sherlock Holmes de Robert Downey Jr. É praticamente um anti-herói. Holmes vive entocado em sua casa em meio a experiências nada convencionais, evita o quanto pode encontros sociais e comporta-se como uma verdadeira criança quando o assunto é levar alguma coisa, que não sejam as suas investigações, a sério. Esse perfil combina muito com as atuações de Robert Downey Jr., o que faz com que o ator se destaque e conquiste o espectador com o seu carisma.

Sua relação com o Dr. Watson (Jude Law) é peculiar. Embora em entrevista o ator tenha dado a entender que Holmes poderia ser um personagem homossexual, não há nenhuma referência direta nesse sentido. O que existe é o fato de ele evitar a todo custo que o amigo se case e deixe de formar a parceria com ele nas investigações. Se existe alguma relação entre ambos que vá além da amizade isso não fica claro e a discussão acerca disso nem de longe faz parte da proposta do filme. Pelo contrário.

Na produção Holmes e Watson se vêem envolvidos em diversas sequências de ação e luta onde podem mostrar toda a sua virilidade. Ambos parecem ter saído de uma academia de artes marciais e, quando preciso, encaram no braço qualquer tipo de adversário. Com um perfil mais desleixado e tendo em vista as situações em que se mete acabam sendo cabíveis as cenas do gênero, sendo um ponto positivo a fuga proposital do estilo mais “politicamente correto” da versão literária do detetive.

Vale ressaltar ainda a boa participação de Rachel McAdams, no papel de Irene Adler, confessa apaixonada pelo detetive e única a conseguir enganá-lo com facilidade. É sua paixão por Holmes que torna possível o desenrolar da trama e, embora o detetive fuja do relacionamento como o diabo foge da cruz, Irene é a única pessoa por quem ele se deixa levar e até mesmo ser manipulado.

Com um roteiro conciso e que flerta com a ação e o humor a todo instante, a maneira como o desfecho acontece deixa um pouco a desejar. Embora a história esteja bem amarrada e não deixe nenhuma pista ou fato sem explicação, a sutileza de algumas revelações é deixada completamente de lado. Não há tempo para o espectador deduzir algo ou montar os quebra-cabeças. Tudo é explicitado de maneira mastigada e didática, deixando claro que a proposta do filme é agradar a maior fatia de público possível.

Sem cerimônias, Sherlock Holmes não é uma releitura ou um resgate de um personagem clássico. É entretenimento pelo entretenimento, com direito a romance, tiradas bem-humoradas, bons efeitos especiais e, é claro, muita ação. O resultado, no final das contas, é agradável e é bem provável que o Sherlock do cinema seja o início de mais uma nova franquia. Vale a pena conferir a primeira boa opção a estrear no Brasil em 2010.

Nota 8