[Filme] Hanami: Cerejeiras em Flor

19 de Junho de 2012
[Filme] Hanami: Cerejeiras em Flor


Sinopse

Trudi sabe que seu marido Rudi está sofrendo de uma doença terminal e o convence a fazer uma última viagem ao Japão, na época do festival das cerejeiras.

Ficha técnica

Título Original: Kirschbluten – Hanami.
Origem: Alemanha / França, 2008.
Direção: Doris Dorrie.
Roteiro: Doris Dorrie.
Produção: Harald Kugler e Molly Von Furstenberg.
Fotografia: Hanno Lentz.
Edição: Frank C. Muller e Inez Regnier.
Música: Claus Bantzer.

Elenco

Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Maximilian Brückner, Nadja Uhl, Birgit Minichmayr, Felix Eitner, Floriane Daniel, Celine Tanneberger, Robert Döhlert, Tadashi Endo, Sarah Camp, Gerhard Wittmann e Veith von Fürstenberg.

Trailer

Crítica

À primeira vista, pode soar estranha a premissa de um filme alemão que aborda em sua essência a cultura japonesa. Porém, bastam alguns minutos de Hanami: Cerejeiras em Flor para entender o motivo da escolha da terra do sol nascente como pano de fundo para uma trama sensível e rica em simbolismos.

Rudi Angermeier (Elmar Wepper) e Trudi Angermeier (Hanellore Elsner) formam um casal de terceira idade com uma vida rotineira e tranquila. Porém, ao receber a notícia de que seu marido está com uma doença que lhe dá poucos meses de vida, os médicos aconselham a Trudi que tenha cuidado ao contar a ele sobre a enfermidade e sugerem que o casal aproveite os últimos momentos para viajar ou realizar alguns de seus sonhos.

Sem contar ao marido da doença, Trudi convence-o a saírem do interior da Alemanha e irem à Berlin para visitarem os filhos. Sem tempo para os pais, o casal vê o quanto eles se transformaram a ponto de considerar a breve visita um verdadeiro incômodo. A situação se agrava quando, ironicamente, Trudi morre, deixando seu marido sozinho em meio ao desprezo dos filhos.

Ao voltar para sua cidade, Rudi decide se aprofundar nos pertences de sua mulher e descobre que a vida toda ela alimentou o sonho de conhecer o Monte Fuji, no Japão. Na capital Tóquio vive um dos filhos do casal,  Karl Angermeier (Maximilian Bruckner). Da mesma forma que os seus irmãos, Karl também não tem tempo e muito menos disposição para tomar conta do seu pai.

Como forma de compensar os sonhos da esposa que não pôde realizar, Rudi parte em uma jornada em busca da essência de uma das formas de expressão que sua mulher mais admirava: o butô, uma dança típica oriental. A época de sua visita coincide com o período do Hanami, o festival das cerejeiras. Suas flores simbolizam a beleza, as mudanças e um novo começo.

Elementos como esses seriam suficientes para construir uma boa trama, transmitir uma mensagem de maneira elegante em sua simbologia e, de quebra, permitir ao espectador refletir sobre o tema em meio às belíssimas imagens urbanas ou campestres do Japão. No entanto, alguns incômodos problemas fazem com que quem assiste a produção se sinta “saindo” do filme em pequenos deslizes.

Um desses detalhes fica por conta da edição. Em muitas sequências, a transição não funciona, ora devido a um corte abrupto, ora devido a um corte suave demais. O fato é que o filme, nesse quesito, não encontra um meio termo, demonstrando um trabalho indeciso ou de pouco cuidado de pós-produção.

Outro ponto que faz o filme acabar se perdendo é o seu roteiro. Com pouco mais de duas horas de duração, a produção sensivelmente repete momentos desnecessários de maneira insegura e pouco frutífera para a trama. Algumas sequências – como a visita de Rudi a uma casa de massagem no subúrbio da cidade, ou mesmo a uma casa noturna – soam pouco verossímeis com a trama e com o perfil do personagem e, na tentativa de mostrar o seu desespero e angústia, as ideias acabam parecendo desconexas da linha central da história.

Apesar de tudo, Hanami: Cerejeiras em Flor consegue transmitir a sua mensagem. No entanto, castiga o espectador com idas e voltas que, praticamente, não levam a história adiante e que bem poderiam ter sido cortadas na edição final. Um trabalho sensível em sua concepção e pesquisa, mas pouco esmerado em termos de execução.

Nota 6.