lost

Sobre ilhas e vampiros

Tuesday, May 25th, 2010 | Opinião | 2 Comments

Vídeo 1: reação de fãs ao verem pela primeira vez o trailer de Lua Nova

Vídeo 2: reação de Maurício Saldanha, editor do site Cabine Celular, ao término do episódio final de Lost

Trabalho com comunicação há pelo menos uma década. Nesse período, li incontáveis livros e vi tantos filmes dos quais certamente não me lembro mais. Porém, poucos assuntos me chamaram tanto a atenção como o cinema. A maneira como, quando uma luz se apaga e um projetor se acende, um ser humano é capaz de ser transformado sempre foi algo que me intrigou.

Quando mais novo, entre todas as produções que estrearam no cinema, poucas tiveram tanto impacto sobre mim quanto Matrix. Tornei-me fã do primeiro filme a ponto de revê-lo dezenas de vezes e decorar diálogos e cenas inteiras. Porém, ainda assim, em momento algum tive um comportamento similar ao apresentando em um desses dois vídeos acima.

Não estou julgando os comportamentos. Se eles são certos ou errados não me importam. Apenas relato que nunca experimentei sensação de igual catarse. Já ri muito e já chorei copiosamente em finais de filmes com os quais me identifiquei muito, por razões pessoais mais do que artísticas. Um Sonho de Liberdade é um grande exemplo. Mas, ainda assim, lembro que reagi de maneira muito mais racional ao resultado do que passional ou emocional.

Voltando aos vídeos acima. Lembro que quando o primeiro deles caiu no YouTube foi motivo de chacota por parte de muitos. Como seria possível que as meninas chorassem tanto e tivessem orgasmos ao ver Robert Pattinson ou Taylor Lautner? Reações ridículas, imaturas e passionais? Talvez. Porém, sinceras.

Ao ver o vídeo de Maurício Saldanha, editor do Cabine Celular, emocionado e emocionando com sua reação diante do episódio final de Lost, imediatamente me lembrei das fãs de Crepúsculo. E não estou com isso colocando as produções lado a lado em termos de qualidade nem dizendo que uma é melhor do que outra. Refiro-me apenas as reações.

Se por um lado a histeria das adolescentes de Lua Nova eram motivos de riso e chacota para uns, para as mesmas pessoas as lágrimas de Maurício Saldanha representavam uma expressão sublime de como foi conviver com grandes amigos ao longo de seis anos e que, de agora em diante, não mais farão parte do seu dia a dia. Ambas as reações são sinceras. Mas por que uma é mais respeitada do que a outra? Basta olhar nos comentários de cada um dos vídeos para perceber o quão díspares são as visões do público.

Pergunto: o que faz o choro de Maurício Saldanha mais justificado do que o choro das adolescentes de Crepúsculo? Por que o comportamento delas é ridículo e o dele é compreensível? O que faz com que duas obras tão distintas entre si possam provocar em públicos distintos exatamente a mesma reação? Não deveriam ambos ser respeitados por igual?

A primeira palavra que me vem à mente é identificação. Emociono-me com aquilo com que me identifico e reprimo aquilo que me parece estranho. Chorar no final de Lost, dentro do meu círculo de amizades, é algo perfeitamente compreensível. Chorar ao ver um trailer de Eclipse, dentro do meu círculo de amizades, é algo repulsivo. Da mesma forma, posso supor que dentro do círculo de amizades das jovens fãs de Crepúsculo, não se sensibilizar com a reação dos colegas ao ver um filme da saga também possa soar como algo anormal.

Em qual dos dois perfis você se encaixa? Pouco me importa. Mas lhe asseguro que qualquer que seja a sua escolha, ambos os caminhos emotivos são honestos. E isso eu respeito. Respeito àquele que consegue com uma obra audiovisual olhar para o outro e compreendê-lo. Respeito àquele que consegue tomar para si as dores de outro e com elas, ou a partir delas, aprende e ensina.

“Posso não concordar com uma só palavra do que dizes, mas respeito até a morte o seu direito de dizê-las”, escreveu Voltaire. Sempre fui mais racional do que emotivo e não considero isso um defeito ou uma virtude, mas apenas uma característica. Da mesma forma como o estado de êxtase, a partir da lógica, da identificação ou da paixão, também são meras características. São certas? São erradas? Não tenho o direito de julgar. E, se me permite, nem você.

Gostar e defender o seu ponto de vista, com argumentos ou com paixão, e tentar mostrar aos outros um pouco da sua visão de mundo é algo saudável e fundamental para o desenvolvimento de cada um. Rejeitar, execrar e humilhar aquele que diverge do seu ponto de vista em prol dos seus ideais é fanatismo. E, me perdoem os fanboys, argumento algum justifica o comportamento de um fanático por qualquer coisa que seja.

Será que as minhas críticas sobre filmes não me tornam uma pessoa ridícula e frustrada para muitos? Possivelmente. Mas será que o seu comportamento hostil diante do meu trabalho, das reações dos fãs de Lua Nova ou dos fãs de Lost não o tornam, da mesma maneira, ridículo para muitos? Não tenha dúvidas que sim. Como dizia aquela canção? “I started a joke, but the joke was on me (3). E não estou falando apenas de cinema ou TV. Isso vale para a política, para a religião… Mas daí já é tema para outra discussão.

E você o que pensa disso tudo?

Observação 1: não estou julgando o comportamento bem como o trabalho do Maurício Saldanha no Cabine Celular. Muito pelo contrário. Embora não concorde com algumas opiniões dele no que diz respeito aos comentários que faz, admiro a coragem de alguém que coloca o rosto à tapa para, seja falando bem ou mal sobre uma produção, expressar da maneira mais sincera possível sua opinião sobre um assunto. Dessa forma, esta não é uma crítica ao seu trabalho e não vou entrar no mérito de suas opiniões. Refiro-me aqui, única e exclusivamente, à sua reação diante do episódio final de Lost.

Observação 2: não sou nenhum fã de Stephenie Meyer, pelo contrário. Não gostei de nenhum dos dois filmes e não vou ser hipócrita de dizer que nunca fiz piada a respeito da qualidade dos mesmos. No entanto, é inegável a influência que os fãs da série têm hoje nos meios de comunicação, em especial no mundo do entretenimento. No Portal de Cinema, site que edito, é expressiva a quantidade de acessos bem como a repercussão em função de assuntos relacionados ao universo de Crepúsculo. Desta forma, também, não é intenção deste post julgar a qualidade destes trabalhos e, sim, única e exclusivamente analisar a reação de duas fãs diante da exibição do primeiro trailer do filme.

Observação 3: trecho da música “I Started a Joke“, do Bee Gees. Tradução direta: Eu comecei uma piada, mas não vi que era sobre mim.

Observação 4: o segundo vídeo foi originalmente publicado no site Cabine Celular. Para comentá-lo e visualizá-lo na página original clique aqui.

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Almanaque traz curiosidades sobre seis décadas de seriados

Monday, April 27th, 2009 | Livros | No Comments

Almanaque dos seriados: indispensável para quem gosta de acompanhar as séries de TV

Almanaque dos seriados: indispensável para quem gosta de acompanhar as séries de TV

Quem nunca passou horas na frente da televisão (ou do computador) assistindo seriados? Isso também faz parte da rotina do jornalista Paulo Gustavo Pereira, mas ele foi além: reuniu todo seu conhecimento na área e lança este mês o Almanaque dos Seriados, pela Ediouro.

A publicação é uma verdadeira viagem no tempo, começando pelo Agente 86 e terminado com Desperate Housewives e Heroes, passando por Os Três Patetas, National Kid, I Love Lucy, Feiticeira, Vila Sésamo, Armação Ilimitada, Friends, Os Normais, Lost e muitos, muitos outros.

Fruto de um trabalho que começou no início dos anos 80, o Almanaque dos Seriados relata os mais importantes seriados que passaram na televisão brasileira em um livro recheado de ilustrações, diálogo marcantes e informações de bastidores.

Matar a saudade
Curiosidades como quanto dinheiro Matt LeBlanc tinha em sua conta quando fez o teste para Friends, quantos carros foram destruídos na série Os Gatões, com que freqüência os atores de 24 Horas são convidados a cortar seus cabelos, quais atores recusaram papéis que fizeram sucessos, são algumas das histórias que completam este almanaque.

Dividido por décadas, de 1950 a 2000, o livro traz seriados nacionais e internacionais dos mais diferentes temas. Policiais, faroestes, infantis, românticos, dramáticos; um repertório tão completo que é impossível o leitor não relembrar alguma fase de sua vida e matar a saudade de seus personagens favoritos.

Paulo Gustavo Pereira cresceu assistindo Vigilante Rodoviário, Brigada 8, Zorro, Além da Imaginação, Perdidos no Espaço, I Love Lucy, Viagem ao Fundo do Mar, Bonanza, entre uma dezenas de séries hoje consideradas clássicas dentro da pequena história da televisão no Brasil. Formado em Jornalismo, trabalhou no Jornal da Tarde, Folha de S.Paulo, Estadão e Jornal do Brasil e hoje é o diretor de redação da revista Sci-Fi News.

Almanaque dos Seriados
Autor: Paulo Gustavo Pereira.
Editora: Ediouro.

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