Atriz Elisabeth Hartmann ganha livro com sua biografia

Friday, December 12th, 2008 | Livros

A atriz Elisabeth Hartmann sempre esteve no lugar certo na hora certa. Foi assim quando fez seu primeiro desfile ainda no banco em que trabalhava como secretária. Foi assim também quando, num café em São Paulo, Mazzaropi a convidou para estrelar o primeiro dos sete filmes que fez com ele. Esses e outros acasos, histórias da infância e da carreira são contadas pela gaúcha ao padre Reinaldo Braga em “Elisabeth Hartmann – A Sarah dos Pampas”, que a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo lança nesta segunda-feira, 15 de dezembro.

Recheado de humor, o livro traz em detalhes toda a trajetória da atriz nascida na década de 30, mas que não revela a idade. “Não vou especificar o ano porque de repente quem lê vai pensar assim: ela é irmã da Dercy Gonçalves! Uma brincadeira em homenagem a essa grande atriz que passou dos 100 anos de idade. Por isso digo: nasci na década de 30”.

Elisabeth Hartmann atuou no teatro, cinema e televisão. Desfilou para grandes estilistas e estampou capas de revistas. Foi dirigida e atuou com grandes nomes das artes brasileiras como  Cacilda Becker, Nydia Licia, Walter Hugo Khouri, Mazzaropi, Ruth Escobar, Cassiano Gabus Mendes, Carlos Zara, Ivani Ribeiro, Geraldo Vietri e tantos outros.

Em quatro encontros no mês de junho de 2008, a atriz abriu sua caixa de memórias a Reinaldo Braga, que a viu pela primeira vez nas novelas da Tupi. “Guardo na memória sua atuação como Tetê em A Barba Azul, como Hilda sendo cortejada por um divertido Marcos Plonka em O Bom Baiano, como a madastra de Cinderella 77, no seriado A Casa Fantástica, que eu achava superinteressante. E, já adolescente, lembro-me da alemã dona da pensão em Olhai os Lírios do Campo, novela da TV Globo”, conta o autor.

A história
Filha única de pais alemães, Elisabeth teve uma infância confortável na cidade de Porto Alegre e estudou nos melhores colégios. As dificuldades começaram durante a guerra exatamente pela origem da família. Com o preconceito contra alemães nessa época, o pai foi preso injustamente, sua construtora começou a perder clientes, a família se mudou para um lugar menor, o pai adoeceu e acabou morrendo. Com sua morte, ela se viu obrigada a trabalhar, ainda durante o ginásio, para ajudar a mãe. Terminou os estudos com o auxílio de uma bolsa.

“O sonho dourado da minha vida era ser professora. Eu achava aquilo lindo demais. Nunca pensei em ser atriz, não fui dessas pessoas que desde criança já sapateava, dançava, representava”, conta Elisabeth que contou desde cedo e em todos os momentos com o incentivo da mãe.

No entanto, seu primeiro emprego foi na Cervejaria Continental, que mais tarde seria encampada pela Brahma. “Eu trabalhava na contabilidade e embaixo do escritório funcionava a fábrica de gelo. Foi duro! Era um frio! Nem com duas, três meias, eu resolvia aquilo, porque o chão era gelado. Mas, eu gostava, as pessoas me tratavam muito bem. Eu só tinha 15 anos”.

Depois, foi trabalhar na Aerovias Brasil, onde se apaixonou por um aviador. Com o amor correspondido, parou de trabalhar para cuidar do enxoval. “Tudo era bordado, eu bordava muito, minha mãe bordava muito, mas de bordado em bordado, de briga em briga, o noivado acabou! Quando me vi sem noivo e sem família, o que foi frustrante, empacotei o enxoval com naftalina e fui trabalhar no Citibank”.

Nessa época começou a conciliar o trabalho no banco com desfiles para o colega de trabalho e então aspirante a estilista Rui Spohr. Jornais de Porto Alegre publicaram suas fotos esse tornou mais conhecida. Convidada a integrar um grupo de teatro amador, foi tomando gosto pela carreira. Mesmo assim não abandonou o trabalho – depois do banco, foi contratada por uma importadora de aço e mais tarde numa de inseticida. Para se profissionalizar – e por insistência da mãe – mudou para São Paulo assim que terminou o curso da Escola de Arte Dramática. Queria se tornar uma Tônia Carrero, uma Maria Della Costa ou uma Cacilda Becker, que ela tanto admirava.

Ao seu favor nos palcos, a boa dicção. “Como meu pai era surdo, desde criança me acostumei a falar alto e a articular muito bem. Não falo gritando, mas quando vou para o palco, posso ser muito clara”. Essa qualidade só deixou a desejar, como diz, quando se viu à frente de Cacilda Becker.  “Quando a Cacilda foi me ensaiar, fiquei toda tímida, porque tinha tanto respeito e admiração por ela, que quando fui abrir a boca para dizer o texto, saiu um fiapo de voz. Ela me disse: Elisabeth, o último espectador vai querer ouvir você também. Desse jeito está complicado. Respondi que ia fazer, para ela não se preocupar. Comecei a me soltar, mas no terceiro ensaio, ela me disse: Agora não vou dizer mais nada, porque não quero uma segunda Cacilda no palco”, brinca

Relembra, também, a saia justa com Clodovil, quando ele ainda não tinha seu ateliê próprio. No teste realizado assim que chegou a São Paulo, ouviu dele: “Você parece um liquidificador andando”. Saiu de lá arrasada, mas dias depois recebeu a notícia que havia passado no teste e assinou seu contrato com as Indústrias Matarazzo. Esse foi seu primeiro trabalho em São Paulo.

A partir daí sua carreira deslanchou. Elisabeth Hartmann foi convidada pelo cineasta Walter Hugo para fazer o filme A Ilha e por Mazzaropi para fazer O puritano da rua Augusta e outros seis filmes; integrou as companhias de Nydia Lícia e de Ruth Escobar; fez pornochanchadas e ainda dezenas de novelas nas principais emissoras.

Os bastidores dois trabalhos, a participação no movimento contra a ditadura, as relações com os amigos e outros fatos são narrados em “Elisabeth Hartmann – A Sarah dos Pampas”, título escolhido em alusão à Sarah Bernhardt, com quem a gaúcha se identificava. Não perder o humor sempre foi a característica principal. Nem quando caiu do trapézio de um circo enquanto gravava Cidade contra Cidade, programa do Silvio Santos, e ganhou um zero da jurada Aracy de Almeida. Ou quando ocorreu o quase trágico acidente durante a peça Lisístrata: ela despencou do alto do palco, vestida com uma malha cor da pele com duas pombas douradas no seio e outra abaixo do ventre porque o contra-regra, que deveria fazer a descida do praticável lentamente, estava dormindo.

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1 Comentário to Atriz Elisabeth Hartmann ganha livro com sua biografia

wikerson no diHITT
December 12, 2008

Atriz Elisabeth Hartmann ganha livro com sua biografia…

A atriz Elisabeth Hartmann sempre esteve no lugar certo na hora certa. Foi assim quando fez seu primeiro desfile ainda no banco em que trabalhava como secretária….

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