Archive for August, 2008
Batman Begins
Saturday, August 30th, 2008 | Anos 2000, Filmes | No Comments
Grande parte do sucesso de Batman – O Cavaleiro das Trevas, em cartaz nos cinemas brasileiros, se deve ao seu antecessor Batman Begins. Foi com esta produção que Christopher Nolan operou um milagre e resgatou do limbo e do ridículo um dos personagens mais importantes do universo dos quadrinhos.
Joel Schumacher havia destruído o homem morcego em duas ocasiões. Havia muito receio em retomar a série, devido ao fracasso das duas produções anteriores. A tarefa ingrata coube a Nolan. Acertadamente, ele rompeu com tudo que tinha sido feito até então e voltou os seus olhos única e exclusivamente para as origens do personagem nos quadrinhos. Tiro certeiro.

Não só resgatou o sucesso anterior como recriou o personagem. Mais sombrio, raivoso, perturbado e confuso. Dramaticamente mais forte, conceitualmente mais interessante e, principalmente, humano. Um herói sujeito a medos e a atos falhos.
Batman Begins reúne ainda um elenco talentoso, liderado por Christian Bale (O Grande Truque) que encarnou muito bem seu novo papel. Simplesmente excelente.
Nota 9,0.
Zulu
Friday, August 29th, 2008 | Anos 60 | No Comments
O épico Zulu é um daqueles grandes filmes que acabaram se perdendo no tempo. Com grandes cenas de batalha e elenco de figurantes numeroso, a produção se baseia numa história real ocorrida no século 19, quando cerca de uma centena de soldados britânicos resistiram a mais de 4 mil guerreiros das nações zulus.
A belíssima fotografia e uma trilha sonora magnífica de John Barry são duas atrações à parte. Repare também no esmero com que foi trabalhado o figurino e a composição artística dos cenários de batalha.

Um único porém fica por conta da duração – pouco mais de duas horas – um tanto quanto longa para os dias atuais, mas justificável do ponto de vista estético, já que há cenas onde os zulus apresentam algumas danças e entoam seus cânticos por vários minutos e isso contribui para melhor entendermos o ponto de vista do grupo de soldados, diante de algo, no mínimo, estranho para os seus padrões.
O filme ainda é uma oportunidade de ver o ator Michael Caine em uma das primeiras atuações de sua carreira.
Nota 7,0.
Awake - A Vida Por Um Fio
Thursday, August 28th, 2008 | Anos 2000, Filmes | No Comments
A idéia inicial de Awake – A Vida Por Um Fio é bastante interessante. Existe um fenômeno que acontece com 1% das pessoas que são anestesiadas completamente em uma cirurgia em que elas “dormem”, mas não perdem a consciência, ou seja, ouvem tudo que acontece à sua volta.
Dá pra imaginar a agonia de alguém durante uma cirurgia sabendo que está sendo cortado sem poder fazer nada. Pior ainda quando o cirurgião tem como objetivo matar o paciente durante um transplante de coração.

Poderia ser um ótimo filme. Mas nitidamente é possível perceber que a boa idéia não vem acompanhada de um bom roteiro. O diretor Joby Harold é até criativo na maneira de mostrar as reações do paciente em seu estado inconsciente. Mas do meio pro final erra a mão feio e o filme, embora garanta a surpresa do desfecho, põe a perder a seriedade com que vinha tratando o tema.
Uma pena. Caísse essa idéia nas mãos de um diretor ou de um roteirista mais experiente, certamente teríamos um suspense mais intrigante e um resultado de melhor qualidade. Mas não é de se jogar fora. Vale o aluguel na locadora.
Nota 6,0.
Sangue Negro
Wednesday, August 27th, 2008 | Anos 2000, Filmes | No Comments
Nos primeiros dez minutos de Sangue Negro não há uma só palavra de diálogo. Estamos no ano de 1898 e Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é apenas um prospector a procura de pedras, metais ou qualquer outra coisa preciosa que possa encontrar em minas do solo americano. Não precisamos de explicações mais pormenorizadas para perceber que estamos diante de um homem diferente, de uma história diferente.
A densidade da trama que irá se desenrolar, bem como a aspereza das dificuldades enfrentadas por Daniel, ficam claras na fotografia ora seca, ora repleta de sombras na qual se envolvem suas ambições.

Com uma fotografia densa e pouca luminosidade, Robert Elswit (Conduta de Risco, Boa Noite e Boa Sorte) contribui e muito para ressaltar a aspereza das vidas de ambos, assim como a sua ausência de espírito e o ódio que parece transfigurar no rosto dos personagens a cada aparição. A direção e o roteiro de Paul Thomas Anderson (Magnólia, Boogie Nights – Prazer Sem Limites), prezam pela sensação constante de que algo está prestes a explodir. Uma espécie de sentimento inflamável, assim como o petróleo, que constrói rapidamente uma cidade e destrói ainda mais rápido os valores de seus cidadãos, que vão sucumbindo à ganância e à inveja do sucesso do próximo.
A construção do personagem de Daniel Day-Lewis merece um comentário à parte. Seus traços ríspidos, o modo de andar, de falar e até mesmo de se comportar – como na cena em que anda sozinho para o seu carro ao abandonar o filho na estação –, capaz de ir da comédia ao drama com uma facilidade assombrosa e de maneira convincente, revelam a personalidade e a maturidade de um ator que soube escolher os papéis certos em sua carreira – ainda que isso significasse estar longe da badalação dos blockbusters rasteiros. Além da atuação de altíssimo nível em praticamente todo o filme, fique atento para seu desempenho no desfecho do filme – simplesmente incrível.
Nota 10,0.
A Múmia
Tuesday, August 26th, 2008 | Anos 2000, Filmes | 2 Comments
Corria o ano de 1999 e, com o fim da década de 90, começava a bater aquela saudade na turma dos anos 80, já chegando à maioridade. “Momento ideal para ganhar dinheiro”, deve ter pensado algum produtor norte-americano.
Coube a Stephen Sommers, que acabara de dirigir Tentáculos, a tarefa de resgatar o gênero, que alcançou o sucesso máximo na pele de Indiana Jones. Assim estreava A Múmia, repleto de cenas de ação conduzidas por um bom roteiro e efeitos especiais de alto nível. No elenco Brendan Fraser e Rachel Weisz, ainda uma promessa.

A Múmia fez tanto sucesso que rendeu duas seqüências (O Retorno da Múmia e A Múmia – Tumba do Imperador Dragão) e uma dezena de filmes do mesmo gênero – como Lara Croft – Tomb Raider e A Lenda do Tesouro Perdido.
Seu mérito maior consiste em flertar com os bons momentos de Indiana, mas com uma personalidade própria, de maneira bem-humorada e utilizando o que havia de mais moderno em termos de tecnologia. O filme certo, na hora certa. E estava aberta mais uma franquia em Hollywood.
Nota 7,5.
O Retorno da Múmia
Monday, August 25th, 2008 | Anos 2000, Filmes | No Comments
Com o grande sucesso do primeiro episódio em 1999, dois anos depois chegava às telas a O Retorno da Múmia. Desta vez os eventos acontecem dez anos depois, em Londres, quando Imhotep, esquecido em uma sombria câmara de museu, volta à vida.
Embora mantenha o mesmo elenco do primeiro filme, o problema maior aqui fica por conta do roteiro, confuso em muitos momentos e sem sentido em outros. A grande novidade é a aparição do personagem Escorpião Rei, interpretado por The Rock, ou Dwayne Johnson (Treinando o Papai). Sua participação chamou tanto a atenção que ele ganhou na sequência um filme só pra ele.

A falta de critividade e a repetição da fórmula do primeiro filme tiveram efeito negativo. Embora tenha faturado alto no mundo todo, a crítica e o público viram com receio mais uma continuação naquele momento. Tanto é que o terceiro episódio levou outros sete anos para chegar às telas.
Ou seja. O Retorno da Múmia não acrescenta nada à história, apenas é um bom entretenimento, mais uma pecinha da maquininha de ganhar dinheiro chamada Hollywood.
Nota 6,5.
Insônia
Saturday, August 23rd, 2008 | Anos 2000, Filmes | No Comments
As noites podem ser longas quando se tem na consciência um peso do tamanho do mundo. Em meio às investigações de um assassinato um policial acaba matando acidentalmente o seu companheiro e, posteriormente, passa a ser chantageado por isso.
Com um elenco de peso – Al Pacino (Treze Homens e Um Novo Segredo), Robin Williams (Patch Adams - O Amor é Contagioso) e Hilary Swank (Menina de Ouro) – Insônia é uma das poucas produções dirigidas por Christopher Nolan que não conta com sua participação no roteiro. Talvez por isso seja esse o filme menos característico de sua obra, embora também conduzido com muita segurança e personalidade.

Bem menos reflexivo que seu trabalho anterior, Insônia tem seus méritos, por reduzir seu personagem principal a uma situação extrema – de privação do sono – tendo como conseqüência o reflexo em suas ações e na confusão que aos poucos se acentua em sua personalidade.
Embora seja um bom filme policial, não fosse por Al Pacino, talvez essa produção não merecesse crédito e se perdesse no tempo. Mas graças a ele, vale a pena ser vista, e com carinho, mesmo que seu conteúdo resulte apenas em mero entretenimento.
Nota 7,0.
A Família do Futuro
Friday, August 22nd, 2008 | Anos 2000, Filmes | 3 Comments
Cansativo e previsível, A Família do Futuro não se define se vai pelo caminho do simples entretenimento ou se procura ser uma animação mais reflexiva, com as clássicas lições de moral à moda Disney. Acaba não fazendo nem uma coisa nem outra direito.
Com um roteiro até certo ponto criativo, porém mal conduzido, é difícil não olhar para o relógio e torcer para o tempo passar mais rápido. Apesar da pouca pretensão do filme, a Disney é capaz de produzir algo melhor e mais elaborado.

Pode agradar às crianças - embora se comparado com as animações de hoje em dia fique muito distante. A Familia do Futuro talvez se saísse melhor como um curta, afinal toda a história do filme poderia ser resumir a pouco mais de dez minutos.
Enfim, se você é fã de animações, veja. Agora se esta em busca de um filme divertido, deixe este na prateleira da locadora e alugue só quando aquele seu sobrinho de 3 anos insistir bastante.
Nota 5,0.
A Casa dos Maus Espíritos
Thursday, August 21st, 2008 | Anos 50, Filmes | No Comments
Forçado demais, roteiro confuso e um desfecho sem sentido. A Casa dos Maus Espíritos foi refilmado, décadas depois como A Cabana do Medo, um filme da mesma forma ruim, porém um pouco melhor que esse.
Nem Vincent Price consegue se salvar. O filme tenta se levar a sério, mas seus personagens não colaboram para isso e nem tampouco o fraco roteiro, o que torna a produção cansativa e, porque não dizer, ridícula, no pior sentido do termo.
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Por incrível que pareça, hoje em dia é considerado um clássico do terror. Só porque é antigo? Deve ser, porque o filme todo é um verdadeiro horror.
Vale para quem gosta muito, mas muito do gênero, e tem curiosidade em conhecer as produções mais antigas. Do contrário passe bem longe.
Nota 5,0.
Sapatos Pretos
Thursday, August 21st, 2008 | Anos 90, Filmes | No Comments
Dalila é uma mulher de meia idade que já não está satisfeita com sua vida ao lado de um ourives, numa pequena cidade. Quando ela conhece um homem mais jovem e com uma vida livre, inicia uma aventura onde se transforma.
Produção portuguesa do final da década de 90, Sapatos Pretos mantém um clima de amor e ódio e consegue até chocar com algumas cenas. Uma pena a fraca atuação dos atores principais, que faz com que algumas cenas soem artificiais, embora pontuadas por bons diálogos.

Repare na fotografia e no clima de submundo de algumas cenas, lembrando muito as produções brasileiras da década de 80. Interessante para quem quiser conhecer algo mais da cinematografia portuguesa.
Muito pouco da produção lusitana chega ao Brasil – o que é uma pena pois seus filmes bebem na fonte do cinema europeu, sem deixar de lado aquele ar de pornochanchada vivido no cinema nacional.
Nota 6,0.
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